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terça-feira, 15 de março de 2016

PORQUE BATIZO POR ASPERSÃO (FINAL) Joelson Gomes


PORQUE BATIZO POR ASPERSÃO (FINAL) Joelson Gomes I- Rm. 6: 4-6, não fala que o batismo é por imersão? a. Não. Aliás, ali não nem do batismo com água, mas do Batismo com o Espírito Santo, como regeneração do pecador convertido. Se nós quiséssemos que a palavra “sepultados” no texto significasse imergido, teríamos que provar que a sepultura naquele época e local era colocar alguém em baixo da terra, e não era. Benjamin Scott informa que: “No período referido (período áureo de Roma) era costume entre os romanos cristãos queimar seus mortos e conservar somente as cinzas em urnas”.[1] Quando não os incineravam, eles sepultavam, mas não em buracos no chão; eles usavam cavernas para isso. Estas cavernas continham escavações em suas paredes para colocar os mortos. Fazendo uma descrição minuciosa de como os crentes de Roma usavam este método, Scott diz que... ... galerias escavadas, que eram usadas como esconderijo ou sepulturas exclusivamente por cristãos, como se depreende das inscrições e do fato de serem os mortos enterrados ali, inteiros, separadamente, em loculi ou sepulturas cavadas, e não reduzidas a cinzas amontoados em buracos ou poços, como eram os pagãos... As galerias muitas vezes têm dois ou três metros de altura e, de um a dois de largura, porém algumas vezes são menos espaçosas. Ao redor de nós, fileira sobre fileira, em sucessão sem fim, se observam túmulos... .[2] b. Não só os romanos, mas os judeus também sepultavam assim (Jo.11: 38-40; Mt. 27:57-61).[3] Portanto, os romanos, e judeus, que receberam a declaração de Paulo, não entenderam a imagem feita pelo apóstolo, comparando o batismo a morrer e sepultar, como se isso necessariamente implicasse em colocar alguém debaixo da terra, e assim sendo, que para o batismo deveriam imergir alguém em um rio ou tanque. Os movimentos de “descer e subir” não estão implicados nas frases: “Fomos, pois, sepultados” e “o seremos na semelhança da sua ressurreição”, como querem alguns[4] para simbolizar o batismo por imersão. O crente é “sepultado com Cristo na morte” não no momento do batismo com água, mas no momento de sua regeneração, por isso este texto fala de regeneração espiritual. Note que Paulo também diz que quem foi batizado com o tipo de batismo que ele fala em Rm. 6. foi plantado com Cristo e foi crucificado com Cristo. Ora como representa isso na forma de batismo? Se, ser sepultado com Cristo é ser imerso, ser crucificado é ser o que? Como representar? Assim, o que o apóstolo fala aqui não tem nada que ver como o batismo com água, mas sim, com a regeneração, pois é ai que o ser humano é crucificado com Cristo (Gl. 6:14), morre o velho para nascer o novo. II- Jesus não entrou na água (Mt. 3: 16; Mc. 1: 9-10)? a. Claro que sim, mas não diz os textos que ele foi imerso. Entrar na água se entra para ficar com água nos tornozelos, pela cintura, pelo pescoço, etc., mas não é obrigado se imergir. Valendo salientar que todas as imagens que se tem até hoje, as mais antigas sobre o batismo de Jesus, é sempre de um homem com água pelos tornozelos ou pela cintura, e um outro derramando água sobre sua cabeça. III- E Filipe e o Eunuco? a. Concluir que o uso das expressões “descer a água” e “subir da água”, (At. 8: 38-39) implica necessariamente em imersão é ter um pouco de pressa. Berkhof mostra que esta conclusão não é obrigatória por que: Um estudo cuidadoso do uso que Lucas faz da preposição eis demonstra que ele a usou não só no sentido de para dentro, mas também no sentido de para, de maneira que é inteiramente possível ler a importante afirmação do versículo 38, da seguinte maneira: “E os dois desceram para a água, tanto Filipe como o eunuco, e ali Filipe o batizou”.[5] Eles podem ter chegado à beira da água sim, mas nem sequer entrado nela. Portanto, por estas palavras não se estabelecem a imersão. E até concedendo-se que tivessem entrado na água, também não quer dizer que houve imersão por esse fato. Pois é sabido que nem todas as vezes que alguém entra em água necessariamente se imerge. Além do mais, se se interpreta estas expressões ao pé da letra, isto implicaria que os dois desceram e se imergiram, pois o autor usa sempre o plural e não faz distinção. “A propósito, as palavras “desceram à água... não afirmam nada sobre sua extensão ou profundidade”. Pode estar implícito uma imersão total, mas, nesse caso, o batizador e o batizando seriam submersos juntos, pois a afirmação se refere aos dois”.[6] Sendo assim, pelo exposto até aqui, o vocabulário do texto de forma nenhuma apóia a imersão como forma batismal para o eunuco. Não se decide o fato tentando forçar argumentos lingüísticos, deve-se levar em conta na interpretação da passagem que, sendo Filipe um judeu, conhecedor das tradições do seu povo, do uso que faziam da água para as purificações por aspersão, é improvável que tenha mudado a forma das purificações que a sua tradição baseada na Lei prescrevia. IV- E a História o que diz? Bem, na é possível estabelecer a imersão como forma do batismo baseado na história. Isto por que não existem evidências concretas preservadas. No que diz respeito ao rito do batismo praticado na Igreja Primitiva, a julgar pelos batistérios ocidentais e pela iconografia, o batizando entrava na água até a cintura. Recebia um jato de água ou mesmo o ministro do batismo derramava água sobre ele. Às vezes aparece um personagem impondo as mãos sobre a cabeça do batizando. [7] John Stott escreve sobre o fato: Estamos longe de saber ao certo se os primitivos batismos eram feitos por imersão total; alguns quadros primitivos do batismo de Jesus, por exemplo, o retrata de pé dentro do rio, com água pela cintura, enquanto João Batista derrama água sobre sua cabeça. [8] Assim, quem quiser usar a história para apoiar a forma imersionista de batismo, está usando dados incompletos, pois a mesma não esclarece este fato com precisão. “Não temos possibilidade alguma de reconhecer uma liturgia batismal do século I, pois falta-nos uma idéia precisa de como o batismo era administrado nas igrejas primitivas”. [9] NOTAS [1] As Catacumbas de Roma, 11ª ed. (Rio de Janeiro: CPAD, 1994), p. 72 (Parêntesis meus). [2] Ibid, pp. 72-73 (Grifos meus). [3] “O enterro tinha lugar numa caverna natural ou artificial (sepulcro) (Gn 49.29-32; Jz 8.32). As cavernas naturais eram alargadas e providas de nichos ou prateleiras, onde os corpos podiam ser colocados para descansar”. GOWER, Ralph. Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos (Rio de Janeiro: CPAD, 2002), p. 72. [4] “Imersão em água não representa adequadamente o sepultamento e a ressurreição de Jesus... no seu sepultamento, o corpo de Jesus não foi colocado por baixo da terra, mas antes lateralmente, em uma sepultura aberta em uma rocha, a qual tinha uma entrada que podia ser tapada com uma pedra (Mt. 27:60). Não cobriram o corpo com terra”. LANDES, Philippe. Estudos Bíblicos Sobre o Batismo; o Modo de Administrá-lo 2ª ed. (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1964), p. 39 (Grifo dele). [5] Teologia Sistematica, p. 753 (Tradução minha). Para significados da partícula είς veja: RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento, pp. 150-151. [6] STOTT, John. A Mensagem de Atos (São Paulo: ABU, 1994), p. 180 (Grifo meu). [7] Vd. BERADINO, Ângelo Di (org). Dicionário de Antiguidades Cristãs (Petrópolis: Vozes, 2002), pp. 218-219. [8] STOTT, John. Romanos (São Paulo: ABU, 2000), p. 207. [9] DRANE, John. A Vida da Igreja Primitiva (São Paulo: Paulinas, 185), p. 129.

POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (VI) Joelson Gomes


POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (VI) Joelson Gomes O SIGNIFICADO DA PALAVRA BATISMO Muitos dizem que o significado da palavra batismo é imergir, e se ela significa imergir então batizar é mergulhar. Será que é assim? Observe uma análise de algumas palavras pertinentes ao caso: a) As autoridades no idioma grego dão como definição para estas palavras um significado variado. Por exemplo: 1- O famoso A Greek-English Lexicon the New Testament and Other Early Christian Literature, traz o seguintes significados: – 1.βαπτιζω (baptizô): mergulhar, imergir. Mergulhar a si mesmo, lavar, ensopar. 2. O ritual de lavagens dos judeus (Mc. 7:4; Lc. 11:38); 2.βαπτισμός (baptismós) - mergulho, lavagem de pratos (Mc. 7:4, 8). Ritual de lavagens (Hb. 9:10).[1] 2- O grande dicionarista Joseph Thayer observa sobre os termos: 1.βαπτιζω (baptizô) - mergulhar repetidamente, imergir, submergir, lavar inteiramente com água; 2.βαπτισμός (baptismós) - uma lavagem, purificação efetuada com água (Mc. 7:4,8), lavagens prescritas na lei mosaica (Hb. 9:10).[2] 3- Carlo Rusconi apresenta as seguintes definições para os termos: 1.βαπτιζω (baptizô) – lavar, imergir, fazer abluções; 2.βαπτισμός (baptismós) - ato de lavar, banho, ablução; 3.βαπτω (baptô) – imergir, embeber, tingir (Ap. 19:13). [3] 4- Elsa Tamez L. e Irene W. de Foukes definem– 1.βαπτω (baptô): molhar, empapar. 2.Βαπτιζω (baptizô) – batizar, lavar-se em forma ritual. 3.Βαπτισμός (baptismós) – cerimônia de purificação, batismo, ablução, lavamento. [4] b) Deve-se notar também que a palavra βαπτίζω (baptízô) quando unida a água nos evangelhos sempre se refere a lavagem para um propósito religioso, seja ao batismo cristão, ou as cerimônias judaicas, mas não está estritamente implicada a imersão. A transição do idioma grego, do Antigo para o Novo Testamento, traz algumas mudanças em palavras, e βαπτω (baptô) e βαπτίζω (baptízô) estão entre estas palavras que mudam. “Juntamente com bápto, “imergir”, o uso do verbo baptizo é alargado: ele perde o significado clássico de “imergir, submergir” e transforma-se em um termo técnico para indicar a administração do batismo (báptisma e baptismós)”.[5] Existem várias passagens para provar isso. a) Mc. 7: 3-4: Os fariseus e todos os judeus não comem sem lavar as mãos cerimonialmente (νίψωνται), apegando-se, assim, à tradição dos líderes religiosos. Quando chegam da rua, não comem sem antes se lavarem (βαπτίσωνται). E observam muitas outras tradições, tais como o lavar (βαπτισμούς) de copos, jarros e vasilhas de metal) (NVI). A atenção a este texto é essencial, aqui. Marcos está se referindo a cerimônia judaica de sempre lavar as mãos antes das refeições. No verso 3 ele usa o verbo νίπτω (niptô = lavar, lavar uma parte do corpo, cf. Mt 6:17) (νίψωνται = nipsôntai),[6] mas no verso 4, continuando a falar da mesma cerimônia de lavagem das mãos, ele usa o verbo βαπτίζω (baptízô) (βαπτίσωνται = baptísôntai), e o substantivo βαπτίσμός (baptísmós) (βαπτισμούς = baptismoús). Assim, o uso que Marcos faz destas palavras indiscriminadamente, mostra que as mesmas podiam ser usadas como sinônimas na sua época, para descrever a mesma cerimônia de lavagem das mãos.[7] Para Marcos batizar é a mesma coisa que lavar, não apenas imergir, pois estas cerimônias de lavagens das mãos não eram feitas mergulhando as mesmas na água. Comentando Mt. 15:2, onde aparece uma referência a mesma prática e é usada a palavra grega νίπτω (niptô), Fritz Rienecker observa: Havia minuciosas e meticulosas prescrições que diziam como devia acontecer a lavagem das mãos. Duas vezes tinha de ser derramada água sobre as mãos até os pulsos e partir de um recipiente qualquer (...). Para cada ablução estava prescrito um pouco mais de um decilitro de água (...). Além disso havia uma série de prescrições sobre a forma da vasilha, sobre a maneira de derramar a água, sobre quantas pessoas podiam ser lavadas simultaneamente, quem era indicado para derramar a água de forma válida, etc., etc (Grifos meus).[8] Exemplos assim deixam claro que os evangelhos não empregam a palavra βαπτίζω (baptízô) apenas com o sentido de imergir. b) Lucas, ao escrever sobre esta cerimônia de lavagem das mãos descrita acima, usa também a mesma palavra. Mas o fariseu, notando que Jesus não se lavara cerimonialmente (έβαπτσθη ) [9]antes da refeição, ficou surpreso (11:38 NVI). Estas cerimônias de lavagem das mãos eram feitas com alguém derramando água sobre as mãos de outro (cf. 2Rs. 3:11), e não imergindo as mesmas em qualquer recipiente como já visto. c) Atos dos Apóstolos. O livro de Atos também faz um emprego da palavra βαπτιζω esclarecedor. Pois João batizou (έβάπτισεν) com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo (At.1:5). A comparação de Jesus é clara. Ele esclarece que como João batizou com água, os discípulos iam ser batizados com o Espírito Santo. Acontece que quando Pedro vai explicar este batismo prometido por Jesus e cumprido no Pentecostes (At. 2: 1-4), ele não diz que os discípulos foram imersos no Espírito Santo, mas que o Espírito foi derramado (έξέχεεν = éxécheen) sobre eles [10], At.2:33; cf.2:17. Vd. Ez. 36:25; Jl. 2:28-29; Lc. 24:49). O batismo, portanto, foi um derramamento. Assim, derramar é claramente empregado como sinônimo de batizar. d). A Carta aos Hebreus. Neste texto existem algumas passagens que convêm prestar atenção. Portanto, deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a maturidade, sem lançar novamente o fundamento do arrependimento de atos que conduzem à morte, da fé em Deus, da instrução a respeito de batismos (βαπτίσμών = baptísmôn) da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno (Hb. 6:2. NVI). O autor aqui usa a palavra batismo no plural, é lógico, portanto, que ele não trata do batismo cristão, pois os cristãos não praticavam muitos batismos, só um. Ele trata então das purificações judaicas do Antigo Testamento (Lv. 10: 8-11. 11; 12-15; 14:7; 15: 5; 16: 24-28; Nm. 19: 17-22).[11]E estas purificações judaicas como já foi visto na parte III, não eram feitas por imersão, mas por aspersão. O contexto da Carta aos Hebreus apóia esta interpretação. Observe-se o uso que o autor faz da mesma palavra batismo em Hb. 9:10. Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água (βαπτισμοίς = baptismoís); essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem (NVI). O autor novamente fala de “batismos” (plural), e diz que estes batismos existiam até o tempo da Nova Aliança. Comentando este texto Hodge esclarece que tipos de batismos são esses: Pelo contexto imediato fica claro que eram batismos com “o sangue dos touros e bodes e as cinzas de uma novilha espargidas sobre os imundos” (Hb. 9:13). O apóstolo contrasta o culto dos Tabernáculos com a dispensação cristã. No Primeiro, havia regulamentos com respeito a comidas e bebidas, e diversos batismos e ordenanças acerca da carne. O sangue dos diferentes animais, ou as cinzas de uma novilha, aspergidos sobre os imundos, santificavam quanto a purificação da carne. Na segunda, isto é, na dispensação cristã, é o sangue de Cristo que é eficaz. No primeiro, “Moisés,... tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã escarlate e hissopo, e aspergiu o próprio livro e também todo o povo... E, além disso, aspergiu também com sangue o Tabernáculo e todos os vasos do ministério” (Hb. 9:19-21). Sem discussões, estes são os “diversos batismos” a que se refere o v. 10 deste capítulo.[12] e) Algo que ainda deve ser notado é o jogo de palavras do texto. Ao falar das purificações da Lei, no verso 10, o autor usa a palavra βαπτισμοίς (baptismoís), mas falando destas mesmas purificações nos versos 13, 19 e 21, explicando-as, o autor usa o verbo ραντίζω (rantizô = aspergir), porque as purificações eram feitas desta forma. Isto torna visível que o autor de Hebreus usava as duas palavras batismo e aspersão como sinônimas. f) O Apocalipse. Encontra-se anda o verbo βαπτω (baptô) empregado em Ap. 19:13. Está vestido com um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus. É impossível ao ler este texto e não se lembrar de Is. 63:3, onde é retratado o estado das vestes daquele que pisa o lagar: Sozinho pisei uvas no lagar; das nações ninguém esteve comigo.Eu as pisoteei na minha ira e as pisei na minha indignação; o sangue delas respingou na minha roupa, e eu manchei toda a minha veste (NVI). As vestes de quem pisa as uvas no lagar não ficam sujas por imersão, elas ficam salpicadas, tingidas, respingadas. Por isso βαπτω (baptô) é muito bem traduzido neste texto por: salpicar, tingir, respingar. Portanto, o grego do Antigo e do Novo Testamento não fornece autoridade para se usar baptô, baptizô ou baptismós com o sentido único de imersão. As palavras não podem assumir um significado à margem de seu contexto e de sua análise lingüística. Quando se olha mais detalhadamente estas palavras é claro que são sinônimas rantizô= aspergir, e o uso das mesmas palavras com o significado de aspersão está no grego tanto do Antigo (LXX) como do Novo Testamento. Continua... NOTAS [1] ARNDT, William F. and GINGRICH, F. Wilbur. A Greek-English Léxicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (Chicago: The University of Chicago Press, 1952), pp. 131-132. [2] A Greek-English Lexicon of the New Testament (Chicago: American Book Company, s/d.), pp. 94-95. [3] Dicionário do Grego do Novo Testamento (São Paulo: Paulus, 2003), p. 93. [4] Diccionario Conciso Griego – Español del Nuevo Testamento (Stuttgart: SBU, 1978), p. 32. [5] Vademecum para o Estudo da Bíblia 2ª ed. (São Paulo: Paulinas, 2005), p. 165. Para o assunto das mudanças do grego da LXX para o do Novo Testamento, Ibid. pp. 159-167. [6] Esta palavra é usada geralmente com significado de lavagem de uma parte do corpo, no presente caso, as mãos. BRATCHER, Robert G.; NIDA, Eugene A. A Translator’s Handbook on the Gospel of Mark (London: United Bible Societies, 1961), p. 220. [7] “A palavra Baptsontai é provavelmente explicada como denotando a mais completa forma do ritual de lavagem, aspersão com grande quantidade de água da bacia, que era necessária para a contaminação pelo contato com a praça do mercado”. CRANFIELD, C. E. B. The Gospel According to Saint Mark (Cambridge: Cambridge University Press, 1959), p. 234 (Tradução minha). Vd. também, TAYLOR, Vicent. The Gospel According to St. Mark (London: Mcmillan, 1969), p. 236. [8] Evangelho de Mateus (Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1998), pp. 262-263. [9] “Έβαπτ…] Este uso da palavra mostra que esta não implica necessariamente em imersão de todo o corpo, mas refere-se às mãos que os Fariseus lavavam antes das refeições”. Vd. ALFORD, Henry. Alford’s Greek New Testament. An Exegetical and Critical Commentary (Grand Rapids: Guardian Press, 1976), p. 557. [10] Έξέχεεν é a terceira pessoa, aoristo segundo, indicativo ativo de έκχέω, verbo variante de εκχυνω, que sugnifica: derramar, aspergir. Vd. RUSCONI, Carlo. Dicionário do Grego do Novo Testamento, pp. 160-161. [11] FABRIS, Rinaldo. As Cartas de Paulo (III) (São Paulo: Loyola, 1992), p. 447. [12] O Batismo Cristão. Imersão ou Aspersão? p. 23.

POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (V) Joelson Gomes


POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (V) Joelson Gomes COMO O NOVO TESTAMENTO ENTENDE A PURIFICAÇÃO. a) Deve-se notar o fato de que no Novo Testamento as pessoas continuaram tendo o mesmo entendimento de que a purificação deveria ser sempre praticada por uma aspersão, pois quando fala da purificação espiritual feita nos cristãos pelo sangue de Jesus Cristo, Pedro descreve como sendo uma aspersão (ραντισμόν= rantismón): Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão (ραντισμόν= rantismón ) do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas (1Pd. 1:2). Também quando o autor de Hebreus quer falar da purificação do coração dos salvos, ele diz que eles foram aspergidos (ρεραντισμένοι =rerantisménoi): Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos (ρεραντισμένοι= rerantisménoi) para nos purificar de uma consciência culpada, e tendo os nossos corpos lavados com água pura (Hb. 10:22, NVI). Sobre este versículo Donald Guthrie observa: “Sem dúvida a metáfora da aspersão (aqui purificação) é derivada do culto ritual levítico, onde é mencionado o sangue aspergido sobre o povo como ratificação da antiga aliança (Êx. 24:8). b) Assim, no Novo Testamento a cerimônia do batismo é entendida como um ato de purificação. Esta cerimônia não é do tipo em que as pessoas purificavam-se a si mesmas, mas o outro tipo, ou seja, pessoas não se batizam, elas são batizadas. Sendo no Antigo Testamento este tipo de cerimônia praticado por aspersão, no Novo Testamento seria de admirar se fosse mudado sem nenhuma explicação. c) O que se nota nos relatos bíblicos é que os judeus eram muito passivos, e iam em massa para serem batizados por João (Mt. 3:5-6; Mc. 1:5; Lc. 3:7), ou pelos cristãos (At. 2:37-41). Fica, portanto, evidente que isso não aconteceria se João houvesse trazido uma nova cerimônia, completamente desconhecida pelos seus contemporâneos, e se a igreja realizasse esta cerimônia de um modo diferente do que o povo já conhecia. d) Vale notar que até por uma questão prática a aspersão é preferida nesta compreensão para conseguir dar vencimento a todas as pessoas que iam a ele para serem batizadas: “Então Jerusalém, toda a Judéia e toda a região do Jordão iam ter com ele” (Mt. 3:5, TEB; Mc. 1:5; Lc. 3:7); pois havia demora da confissão de pecados: “E faziam-se batizar por ele no Jordão, confessando os pecados” (Mt. 3:6, TEB; Mc. 1:5), e ainda havia pregação de João (cf. Lc. 3:7-18). A aspersão é claramente o modo mais indicado para dar vencimento à intensa prática batismal de João. Continua... NOTAS ______________ 1) GUTHRIE, Donald. Hebreus. Introdução e Comentário (São Paulo: Vida Nova, 1991), p. 200

POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (IV) Joelson Gomes


POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (IV) Joelson Gomes IV- A FORMA DAS PURIFICAÇÕES COM ÁGUA DO ANTIGO TESTAMENTO. Tendo estabelecido que a origem do batismo de João se encontra nas purificações judaicas prescritas na Lei do Antigo Testamento, e que este batismo continuou sendo visto pelos crentes do Novo Testamento como sinal de purificação, cabe agora determinar como eram feitas estas purificações dos judeus. Isto é necessário para se chegar à forma precisa como João Batista administrava sua cerimônia. João imergia ou aspergia as pessoas? a) A água tinha uma importância vital no cotidiano dos judeus, e na Lei havia muitas purificações com água estabelecidas. Charles Hodge escreve sobre as pessoas que João batizava: “Neste aspecto, o batismo era conhecido e praticado desde há muito tempo... Provavelmente, quase todos se haviam batizado muitas vezes ou haviam visto muitos outros serem batizados e, portanto, não podiam sentir qualquer preocupação especial ao fato em si.” [1] E sobre a forma como eram administradas estas purificações judaicas, Hodge acrescenta que “não se pode dar sequer um só exemplo de que se exigisse do judeu a imersão em água, ou que fosse submerso em cumprimento a alguma cerimônia religiosa regular ou feita em qualquer ocasião”. [2] Ainda existe algo muito importante a ser levado em conta nestas cerimônias de purificação com água, feitas pelos judeus no Antigo Testamento é o seguinte: 1- Havia um tipo de purificação ritual com água em que a própria pessoa se purificava e nesses casos era prescrito um lavamento/banho ritual para o indivíduo. Por exemplo: Ø Aquele que se purifica lava suas vestes, raspa todos os cabelos, lava-se (רָהַץ= rahatz) na água e então está puro; em seguida dirige-se ao acampamento, mas permanece sete dias fora da sua tenda; no sétimo dia raspa todos os pêlos, cabeça, barba e as sobrancelhas; raspa todos os pêlos, lava suas vestes, lava (רָהַץ= rahatz ) seu corpo na água e então está puro (Lv. 14:8-9, TEB). Ø Quem tocar o corpo do homem afetado de corrimento deve lavar suas vestes, lavar- se ( רָהַץ= rahatz ) na água, e será impuro até a tarde. Se o homem atingido de corrimento cuspir sobre alguém que é puro, este deve lavar suas vestes, lavar-se (רָהַץ = rahatz) na água, e será impuro até a tarde (Lv. 15:7-8, TEB). Ø Quando um homem expeliu o sêmen, deve lavar (רָהַץ= rahatz ) o corpo inteiro na água e é impuro até a tarde; (Lv. 15:16, TEB). Em todas estas passagens citadas, e ainda em passagens tais como: Lv. 15:10, 11, 13, 18, 22, 27, é usado o verbo רָהַץ (rahatz) que é traduzido por lavar-se, e significa realmente: lavar o corpo humano, ou parte dele (Gn. 18:4; 43:31; Dt. 21:6), lavar alimentos (Ex. 29:17; Lv. 1:9). E às vezes é usado metaforicamente para significar: lavar as mãos em inocência, declarar a si mesmo inocente (Sl. 26:6; 73:13), mas em lugar algum a palavra tem implicações de imersão, ou significa imergir.[3] b) Mas, havia um segundo tipo de purificação que era quando a cerimônia era feita por alguém, sobre outra pessoa ou objetos, com o objetivo se purificá-lo, e para este tipo a forma é sempre aspersão (נָזָה = nazah)[4]. Por exemplo: b.1.) Havia aspersão feita com sangue (Êx. 24:8; 29:21; Lv. 16:14, 15, 19); b.2.) Havia aspersão feita com óleo (Lv. 8:10-11); b.3.) Havia aspersão feita com azeite (Lv. 14:27); b.4.) Havia aspersão feita com água (Nm. 8:5-7; 19:18-19, 21). Era com esse segundo tipo de cerimônia que se entendia nos tempos bíblicos o ato purificador de Deus sobre uma pessoa. Deus aspergia para purificar. Pois, quando se passa da Lei Mosaica para outras partes do Antigo Testamento, encontra-se o mesmo entendimento a respeito da cerimônia de purificação feita por alguém (no caso Deus) sobre a pessoa. Deus asperge e limpa. Nota-se assim que o ato da aspersão passou a ser o símbolo geral para a purificação no Antigo Testamento. Por exemplo: c- Nos Livros Proféticos encontram-se passagens que mostram que os profetas bíblicos, quando queriam falar da purificação feita por Deus, continuavam a entender que o modo dEle purificar era aspergindo, e não imergindo. ... de igual modo ele aspergirá (נָזָה =nazah) muitas nações, e reis calarão a boca por causa dele. Pois aquilo que não lhes foi dito verão, e o que não ouviram compreenderão (Is. 52:15, NVI). Aspergirei (זַרָק = [zarak]: espalhar, aspergir)[5] água sobre vocês e ficarão puros; eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos (Ez. 36:25, NVI). d- Nos livros poéticos também temos exemplo de como o ato de purificação feito por Deus era entendido no seu tempo. Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve (Sl. 51:7, grifo meu). Sobre este texto Dereck Kidner observa: Purifica-me com hissopo é como uma alusão à purificação do leproso, aspergido sete vezes com o sangue sacrificial no qual foi molhado um ramo de hissopo como borrifador (Lv. 14:6-7); ou pode se referir ao ritual para purificação daqueles que tiveram algum contato com um defunto (Nm. 19:16-19).[6] Portanto, a aspersão feita por alguém sobre outra pessoa ou objeto está firmemente estabelecida como termo geral para purificação em todas as partes do Antigo Testamento, onde a cerimônia é mencionada, enquanto que há um silêncio significativo acerca da imersão, seja em rio, lago, ou tanque, como ato purificador. Continua... NOTAS [1] O Batismo Cristão. Imersão ou Aspersão? pp. 14-15. [2] Ibid, p. 16. [3] Veja para o significado desta palavra, TREGELLES, Samuel Prideaux. Gesenius Hebrew and Chaldee Lexicon (Grand Rapids: Eerdmans, 1954), p. 766; e ROY, W.L. A Complete Hebrew and English Critical and Pronouncing Diccionary, 2ª ed., (New York: John F. Trow & CO., 1846), p. 633. [4] Para definição da palavra נָזָה =nazah vd. TREGELLES, Samuel Prideaux. p. 255; e ROY, W.L. p. 503. [5] Para a definição de זַרָק = zarak veja: ROY, W.L. p. 224.; TREGELLES, Samuel Prideaux. p. 255. [6] Salmos 1 - 72, Introdução e Comentário (São Paulo: Vida Nova, 2004), p. 213 (Grifos dele itálicos meus).

POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (III) Joelson Gomes


POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (III) Joelson Gomes III- Com A igreja do Novo Testamento entendia o significado do Batismo. Procura-se agora determinar como a Igreja do Novo Testamento entendia a cerimônia do batismo. Vamos consultar o Novo Testamento olhando alguns versículos detalhadamente: 1- a) At. 2:38: “Pedro respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo”. (NVI). As palavras de Pedro são claras, ele liga o recebimento do batismo com o perdão dos pecados. O batismo recebido pelos convertidos seria o sinal exterior da limpeza espiritual interior. Os Vinte e Oito artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo, síntese de fé do povo Congregacional brasileiro, tem muita razão quando diz no artigo 25: “O batismo com água foi ordenado por nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador, quando envia o Espírito Santo para regenerar o pecador”. b) Ao dizer “cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos seus pecados”, Pedro não afirma que o batismo por si só cancelaria os pecados do povo, como não perdoou os pecados de Simão o mago, que mesmo sendo batizado por Filipe (At. 8:9-13), continuou na perdição (άπώλειαν [apôleian]= arruinar, perecer, destruir) e laço de iniqüidade (At. 8:20-24). Porém, o batismo testemunharia o que já havia sido feito no momento do arrependimento. Por isso o arrependimento sempre vem antes do mesmo. O batismo agora recebido simbolizaria a purificação dos pecados, feita no arrependimento sincero, pois para o autor do livro de Atos o arrependimento é a porta para a salvação, para a remissão dos pecados (vd. At. 3:19; 5:31; 10:43; 13:38-39; 16:31), não o batismo com água, ele é sempre conseqüência. 2- a) At. 22:16: “E agora, que está esperando: Levante-se, seja batizado e lave os seus pecados, invocando o nome dele’”. (NVI, grifo meu). Este é um dos textos mais evidente para mostrar a relação entre a ordenança do batismo no Novo Testamento e o lavamento (άπόλουσαι= ápólousai) dos pecados. A ligação é muito clara e mostra o batismo como sinal exterior de uma limpeza /purificação interior. (1) b) Observe que no relato do encontro de Ananias com Paulo recém convertido, Ananias já o trata como irmão antes mesmo de ele ser batizado (At. 9:17; 22:13). Para Ananias, não seria o batismo praticado a seguir que transformaria Paulo em um irmão, o batismo seria apenas algo que simbolizaria sua limpeza espiritual: “Lave os seus pecados”. Limpeza essa já ocorrida naquele Paulo que já estava contrito com Deus e orando. 3- a) 1Pd. 3:21: “e isso é representado pelo batismo que agora também salva vocês – não a remoção da sujeira do corpo, mas o compromisso de uma boa consciência diante de Deus – por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (NVI). Aqui o autor bíblico estabelece uma relação tipológica entre o dilúvio e o batismo. Ele diz que o batismo é uma lavagem purificadora da carne, mas que essa lavagem não é o que salva. ... não é a remoção da imundícia da carne. No sentido mais simples, essa expressão descreve os efeitos de um banho (limpeza do corpo). Mas a escolha dos termos parece sinalizar algo mais. Apothesis era quase um termo técnico entre os primeiros cristãos para designação daquilo que tinha de ser “removido”, “despojado”, as coisas que os cristãos tinham de abandonar por não serem compatíveis com a nova vida em Cristo... Então, dizer que o batismo não é essa remoção do mal em nós, poderia significar aqui uma advertência contra concepções mágicas do batismo. (2) Assim, Pedro ao escrever e citar o batismo cristão, sabendo do entendimento que os seus leitores tinham da cerimônia como um rito purificador, se apressa a dizer que o mesmo é um reflexo da salvação, mas não a realidade em si. b) Portanto, o entendimento do significado do batismo para a Igreja no Novo Testamento, era como se representasse a limpeza, a purificação dos pecados, assim como eram também entendidas as purificações do Antigo Testamento e o batismo praticado por João. Berkhof escreve: “Esta idéia de purificação era a coisa pertinente a todos os batismos do Antigo Testamento, e também no batismo de João, Sl. 51:7; Ez. 36:25; Jo. 3:25-26. ... Além do mais a Bíblia deixa muito claro que o batismo simboliza a limpeza espiritual ou a purificação”. (3) Continua... NOTAS ______________ 1) “O batismo no Novo Testamento é sinal exterior de uma limpeza interior”. Bíblia de Estudo de Genebra (NT). p. 1304 2) MUELLER, Ênio R. 1 Pedro. Introdução e comentário (São Paulo: Vida Nova, 1991), pp. 220-221. 3) [1] BERKHOF, L., p. 751 (Tradução minha).

POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (II) Joelson Gomes


POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (II) Joelson Gomes II- O SIGNIFICADO DO BATISMO i- os contemporâneos de João Batista. Depois que mostramos que o batismo de João tem sua origem nas purificações judaicas do Antigo Testamento, agora vamos determinar o que significava o batismo para as pessoas que iam ao seu encontro para serem batizadas a) Leonhard Goppelt é enfático ao afirmar: “Sem dúvida, o batismo dos discípulos era como o de João, um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados, isto é, um banho de água que purificava de tudo o que ocorrera até então e que propiciava perdão e arrependimento”.(1) Werner Georg Kúmmel demonstra ter a mesma compreensão: Contudo, pode-se dizer, com grande probabilidade, que o batismo era compreendido como um sacramento relacionado com o iminente juízo final, o qual equipava e purificava a pessoa que se arrependia e se deixava batizar por João, para que assim pudesse subsistir diante do juízo final.(2) Além da opinião destes eminentes teólogos, F. F. Bruce, também faz uma observação muito própria aqui: “Ensinava João que o batismo era aceitável a Deus desde que lhe sujeitassem não com vistas à remissão de certos pecados apenas, mas à purificação do corpo, se a alma já estivesse purificada pela justiça”.(3) b)Assim, a Teologia tem a compreensão de que era como um símbolo de purificação que os contemporâneos de João Batista entendiam o batismo. As pessoas iam até João porque viam no uso que o mesmo fazia da água um símbolo do lavamento de suas impurezas. Usavam a água cerimonialmente para se purificarem como os seus antepassados do Antigo Testamento sempre a usaram. As escrituras têm um texto-chave para confirmar este entendimento, é o seguinte: Depois disso Jesus foi com os seus discípulos para a terra da Judéia, onde passou algum tempo com eles e batizava. João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado. (Isto se deu antes de João ser preso.) Surgiu uma discussão entre alguns discípulos de João e um certo judeu, a respeito da purificação cerimonial (Jo. 3:22-25. NVI). c) A passagem é clara e didática. O evangelista começa falando da atividade batismal paralela entre João e os discípulos de Jesus (22-14) (cf. Jo. 4: 1), em seguida ele diz que após observar João batizando, um judeu começou uma discussão sobre a purificação (25). Você pode perguntar: Por que a discussão foi sobre a purificação, se o que o judeu observou foram os batismos? A resposta é lógica, João quer mostrar como os batismos observados por este judeu eram entendidos. Para este judeu o batismo que ele viu João praticando era uma cerimônia de purificação, assim como as cerimônias purificadoras que o povo judeu praticava já há tanto tempo, e que estavam prescritas na Lei de Moisés. Alvah Hovey observa: O judeu, fosse amigo ou inimigo de Jesus, sem dúvida havia se informado que as multidões estavam recebendo o batismo da parte do Senhor; e esta informação levou a uma discussão sobre a origem e a significação do rito como símbolo de purificação. Teria Jesus o mesmo que João, o direito de administrá-lo? Se era assim. Significaria o mesmo administrado por João quando era administrado por Jesus? Ou seria seu valor maior neste caso que naquele? (4) É cristalina a compreensão dos contemporâneos de João Batista, segundo o texto analisado, do seu rito batismal como significando uma purificação simbólica. L. Berkhof também afirma que a idéia de purificação era algo pertinente a todos os batismos do Antigo Testamento, e também ao batismo de João. (5) João Batista não introduziu uma novidade no seu tempo, ele veio fazendo algo que os seus contemporâneos já praticavam e que continuaram interpretando como sinal de purificação. O batismo de João está, pois, na linha das purificações judaicas do Antigo Testamento, e era entendido assim na sociedade da época. Continua... NOTAS _____________ 1) Teologia do Novo Testamento, p. 262 (Grifos dele sublinhados meus). 2) Síntese Teológica do Novo Testamento, 4ª ed. (São Paulo: Paulus/Teológica, 2003), p. 49 (Grifo meu). 3) Merece Confiança o Novo Testamento? 2ª Ed. (São Paulo: Vida Nova, 1990), p. 139. 4) O Evangelho Segundo João, 3ª ed. (El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1973), p.142. 5) Teologia Sistemática, 3a ed. rev. (Grand Rapids: T.E.L.L., 1976), p. 751.

POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (I) Joelson Gomes


POR QUE BATIZO POR ASPERSÃO (I) Joelson Gomes Introdução: A forma de executar a cerimônia de batismo tem ao logo dos séculos levantado algumas discussões. Existem igrejas que só batizam por aspersão, e igrejas que não aceitam quem batiza de outra forma que não seja a imersão. Até dizem que na Bíblia era assim que se batizava, mergulhado o candidato em água e que a palavra grega baptizô tem só esse significado. Assim, quem batiza de outra forma que não seja imergindo a pessoa em água está indo contra o significado da palavra. O que fazer diante do fato? Ir para as Escrituras e ver como realmente elas falam da forma de batismo. Neste estudo nossa missão é saber se na Bíblia e na história os cristãos batizavam por imersão ou por aspersão. Então mãos à obra. I- A ORIGEM DO BATISMO a) Para saber a forma como os cristãos da Bíblia batizavam temos que ir em busca da origem do batismo. De onde veio o batismo? Como ele se originou? A pessoa que primeiro apareceu batizando na Bíblia foi João Batista (Mt. 3: 1-12). Mas de onde João tirou esta cerimônia? b) Os especialistas no assunto encontram o fundo histórico para este batismo de João, e conseqüentemente, também para o batismo cristão, nos ritos de purificação ordenados na Lei de Moisés, e praticados pelos judeus desde o período do Antigo Testamento. c) O The Interpreter’s Dictionary of the Bible é enfático ao afirmar: “Os antecedentes do batismo cristão estão fundados dentro do judaísmo.” (1) O batismo praticado por João Batista, que é o antecedente do batismo cristão, vem das purificações judaicas, João apenas dá-lhe um significado mais profundo. George Eldon Ladd assegura: É possível que o fundo histórico explicativo da origem do batismo de João não seja nem o batismo praticado em Qunran, nem o de prosélitos, mas simplesmente as abluções cerimoniais previstas no Velho Testamento. Os sacerdotes eram obrigados a se lavarem em sua preparação para ministrarem no santuário, e do povo se exigia que participasse de certas abluções em várias ocasiões (Levítico 11 -15; Números 19). Muitas declarações proféticas, que eram bem conhecidas, exortavam a uma purificação com a água (Isaías 1: 16 e ss. Jeremias 4: 14), e outras antecipam uma purificação a ser feita por Deus nos últimos dias (Ezequiel 36:25; Zacarias 13: 1). (2) Realmente isto pode ser visto num fato importante notado por Charles Hodge, isto é, que o batismo que João veio praticando, não foi uma novidade inventada pelo mesmo, e que povo da época não conhecia. (3) Quando João aparece batizando no deserto (Jo. 3: 1-6), as pessoas não ficam surpresas, como se ele trouxesse uma cerimônia nova. O que era novo, era a doutrina que pregava, não a cerimônia que praticava. Esta prática todos conheciam desde há muito tempo. Era algo que esperavam ver o Messias fazer, bem como todo profeta verdadeiro. Por isso, quando João lhes disse que ele não era o Cristo, nem Elias, nem o profeta, a pergunta imediata que lhes fizeram, foi: “Por que, pois, batizas?” (Jo 1: 19-25), dando a entender, claramente, duas coisas: a) Que os profetas tinham o costume de batizar, e b) Que esperavam que o Messias, quando viesse, faria o mesmo. (4) d) Existem vários textos bíblicos que provam que os judeus realmente praticavam muitas purificações com água no seu dia a dia, (5) e que para estas purificações era usado o verbo grego βαπτίζω (baptízô). Isto pode ser comprovado pelo grego bíblico (Mc. 7:3-4; Lc. 11:38; Hb. 6:2; Hb. 9:10). e) Portanto, por todos os textos mostrados, vemos que as purificações com água era coisa corrente no judaísmo bíblico, e que estas mesmas purificações são chamadas de βαπτισμοίς (baptismoís) no idioma grego. Elas eram partes da vida religiosa do povo de Israel, não sendo uma novidade criada por João Batista. João apenas lhes dá um novo significado, (6) mas sua prática está na linha das práticas antigas do seu povo. Portanto, é ali, nos batismos judaicos do Antigo Testamento que ele encontra a base para a sua cerimônia de purificação com água, o seu batismo. Continua... NOTAS __________ 1) New York: Abingdon Press, 1962 p. 348 (Tradução minha). 2) Teologia do Novo Testamento, 2ª ed. (Rio de Janeiro: JUERP, 1993), p. 40. 3) O Batismo Cristão. Imersão ou Aspersão? (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1988), p. 13. 4) Ibid.p. 23. 5) Ibid, pp. 20-21. 6) Ver GOPPELT, Leonhard, Teologia do Novo Testamento, 3a ed. (São Paulo: Teológica, 2003), pp. 75-76. LADD, George Eldon. p. 40.